Entry: Cinco (um anel e um brinco -.-') Thursday, March 11, 2010



As notas plácidas do oboé invadem a rua enquanto a guitarra se quebra de sons exaustos e morre com dedos antigos a apodrecer entre as cordas. Somos todos medos e sombras que morrem, às vezes, no acorde inacabado de uma guitarra qualquer, deitada fora por cortesia. Sabemos a estanho quando nos perguntam, com os olhos embriagados de vida, quanto de nós é um abismo. A retina descola-se na dimensão da pergunta e é provável que nunca obtenham resposta. Sabemo-nos todos só pelo olhar. Amamo-nos. É estranho que façamos por gostar tão pouco uns dos outros.
As pessoas aparecem e desaparecem da plataforma como espíritos entre-cortados a movimentar o universo de um lado para o outro. O metro chega e com ele chegarias tu, se eu não te procurasse tanto. 
Em memória a todos estes corpos que restam na linha, talvez um dia faça uma fogueira de mim, dentro da primeira carruagem, contada pelos teus dedos que me servem de mão.

César Romeu, 2010

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