Entry: 3 (o número que deus fez ahah -.-') Saturday, February 13, 2010



A noite em si é um abraço de sorrisos em chamas que ainda sobra disto tudo que somos nós a preencher espaços físicos de coisas que não existem. Talvez já não acredites muito em mim mas lembrei-me de saber chorar quando vi os teus olhos mortos na boca dos gatos que adormecem na estrada. Sim, apetece-me chorar a palidez com que morreste nos gatos empalhados de vozes e palavras tuas feitas de bocados apodrecidos do meu coração. Porra. Está demasiado frio hoje e eu já não sei porque é que morreram estas criaturas oníricas dentro de mim nem consigo entender quem as tomou pelos braços e as arremessou avidamente para o passeio só para não incomodar os transeuntes.
Diz-me que amanhã teremos solstícios embrulhados de paixão e pessoas que dormem mascaradas de ti vão sonhar comigo e se vão apoderar de mim como crianças a corroer bonecos com os dentes enquanto perguntam aos pais qual a vertente bonita do sorriso. Eu saberia responder mas calo-me aqui a imaginar que poderei morrer amanhã e, no fundo, tudo o que faça agora será parcialmente esquecido pela voz estridente dos vendedores de fruta anónimos e repetidos no tempo, quase tão incessantemente como o Amor.
Numa personalidade que não a minha, eu teria nascido morto e chorar-me-iam como se acabasse a coisa mais perfeita do ciclo cósmico. Um vazio cheio de lágrimas paradas.
Sabes, ainda agora te conheci e já sei que não existes mas ama-me à mesma, pode ser?

César Romeu, 2010

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