Thursday, March 11, 2010
Cinco (um anel e um brinco -.-')

As notas plácidas do oboé invadem a rua enquanto a guitarra se quebra de sons exaustos e morre com dedos antigos a apodrecer entre as cordas. Somos todos medos e sombras que morrem, às vezes, no acorde inacabado de uma guitarra qualquer, deitada fora por cortesia. Sabemos a estanho quando nos perguntam, com os olhos embriagados de vida, quanto de nós é um abismo. A retina descola-se na dimensão da pergunta e é provável que nunca obtenham resposta. Sabemo-nos todos só pelo olhar. Amamo-nos. É estranho que façamos por gostar tão pouco uns dos outros.
As pessoas aparecem e desaparecem da plataforma como espíritos entre-cortados a movimentar o universo de um lado para o outro. O metro chega e com ele chegarias tu, se eu não te procurasse tanto. 
Em memória a todos estes corpos que restam na linha, talvez um dia faça uma fogueira de mim, dentro da primeira carruagem, contada pelos teus dedos que me servem de mão.

César Romeu, 2010


Posted at 02:47 pm by César Romeu

 

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César Romeu
August 24th 1991  (Age 25)
Male








 
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embriaguez de vinte cêntimos

Parecemos destrutivos neste propósito
estranho de permanecer vivos no sono
interno que nos mantém desiguais
e debitamos primaveras. estações. medos.
escutamos violência porta a porta
sabemos os lugares em que as horas morrem
mas as dobradiças vão-se partindo e o mundo
são idades. e perdemos as nossas vozes
sem que cheguemos sequer a vociferar o amor
ou a sua sintaxe. tudo o que somos é música
em bares pintados de cinzento escuro e
em homens antigos que morrem antes de tempo
e entregam, afinal, as vísceras para adopção
ou para adoção - pós-acordo. e as vísceras
constroem cidades rosáceas e apodrecidas
por dentro. bebemos limonada e sonhamos muito.
Denegrimos sonhos comuns enquanto
caminhamos. e tudo se nos revela abruptamente:
Os rios de sangue sem caravelas, as morsas
obsoletas. os velhos em chamas a amar segredos.
Não parecemos tão bonitos ao longe quando morremos
e não somos. toda a cidade se nos apresenta.
Paredes cinzentas e vitrais cor de rosa escondidos
e sob o céu da boca explodimos de luz
e vomitamos existência sem pedaços, uma solidez
estranha que nos faz aguentar ao longo da noite.

groze & mortir
5/X/09



27/X/2008



groze & mortir





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