Saturday, February 13, 2010
3 (o número que deus fez ahah -.-')

A noite em si é um abraço de sorrisos em chamas que ainda sobra disto tudo que somos nós a preencher espaços físicos de coisas que não existem. Talvez já não acredites muito em mim mas lembrei-me de saber chorar quando vi os teus olhos mortos na boca dos gatos que adormecem na estrada. Sim, apetece-me chorar a palidez com que morreste nos gatos empalhados de vozes e palavras tuas feitas de bocados apodrecidos do meu coração. Porra. Está demasiado frio hoje e eu já não sei porque é que morreram estas criaturas oníricas dentro de mim nem consigo entender quem as tomou pelos braços e as arremessou avidamente para o passeio só para não incomodar os transeuntes.
Diz-me que amanhã teremos solstícios embrulhados de paixão e pessoas que dormem mascaradas de ti vão sonhar comigo e se vão apoderar de mim como crianças a corroer bonecos com os dentes enquanto perguntam aos pais qual a vertente bonita do sorriso. Eu saberia responder mas calo-me aqui a imaginar que poderei morrer amanhã e, no fundo, tudo o que faça agora será parcialmente esquecido pela voz estridente dos vendedores de fruta anónimos e repetidos no tempo, quase tão incessantemente como o Amor.
Numa personalidade que não a minha, eu teria nascido morto e chorar-me-iam como se acabasse a coisa mais perfeita do ciclo cósmico. Um vazio cheio de lágrimas paradas.
Sabes, ainda agora te conheci e já sei que não existes mas ama-me à mesma, pode ser?

César Romeu, 2010

Posted at 03:58 pm by César Romeu

 

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César Romeu
August 24th 1991  (Age 25)
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embriaguez de vinte cêntimos

Parecemos destrutivos neste propósito
estranho de permanecer vivos no sono
interno que nos mantém desiguais
e debitamos primaveras. estações. medos.
escutamos violência porta a porta
sabemos os lugares em que as horas morrem
mas as dobradiças vão-se partindo e o mundo
são idades. e perdemos as nossas vozes
sem que cheguemos sequer a vociferar o amor
ou a sua sintaxe. tudo o que somos é música
em bares pintados de cinzento escuro e
em homens antigos que morrem antes de tempo
e entregam, afinal, as vísceras para adopção
ou para adoção - pós-acordo. e as vísceras
constroem cidades rosáceas e apodrecidas
por dentro. bebemos limonada e sonhamos muito.
Denegrimos sonhos comuns enquanto
caminhamos. e tudo se nos revela abruptamente:
Os rios de sangue sem caravelas, as morsas
obsoletas. os velhos em chamas a amar segredos.
Não parecemos tão bonitos ao longe quando morremos
e não somos. toda a cidade se nos apresenta.
Paredes cinzentas e vitrais cor de rosa escondidos
e sob o céu da boca explodimos de luz
e vomitamos existência sem pedaços, uma solidez
estranha que nos faz aguentar ao longo da noite.

groze & mortir
5/X/09



27/X/2008



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