Sunday, January 31, 2010
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Esta cidade decrépita e mórbida, que resta, serve de tão pouco nas minhas mãos cansadas e desconcertadas, meu amor. Tu, secalhar, não entendes as flores em cinzas que te embrulhei em caixas de cartão azul e cinzento e te ofereci já com as unhas a sangrar uma constelação de palavras entornadas no tapete, mas a verdade é que isto é tudo o que sobra depois de me esgotares os dedos com que te toco e te explico as sensações mais simples como o frio, o medo, a música, o arrepio, as estrelas ou a estética.
Entretanto vou-me dissipando horizontal, mecânico e céptico. Lá fora as crianças são uma poesia desconhecida e eu já nem me importo, já nem ouço como dantes. Agora sou só aqui deitado com o sexo a apodrecer na mesa de cabeceira e tu lá ao fundo, desenhada na terceira moldura amarela e lilás da minha cómoda antiga e mastigada de poemas perdidos e caruncho (mais caruncho que outra coisa, no fundo).
Diz-me, por favor, que ainda existo e me podes plantar um malmequer no coração. E que o regas todos os dias com a saliva que sobra das palavras.

César Romeu, 2010

Posted at 07:21 pm by César Romeu

 

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César Romeu
August 24th 1991  (Age 25)
Male








 
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embriaguez de vinte cêntimos

Parecemos destrutivos neste propósito
estranho de permanecer vivos no sono
interno que nos mantém desiguais
e debitamos primaveras. estações. medos.
escutamos violência porta a porta
sabemos os lugares em que as horas morrem
mas as dobradiças vão-se partindo e o mundo
são idades. e perdemos as nossas vozes
sem que cheguemos sequer a vociferar o amor
ou a sua sintaxe. tudo o que somos é música
em bares pintados de cinzento escuro e
em homens antigos que morrem antes de tempo
e entregam, afinal, as vísceras para adopção
ou para adoção - pós-acordo. e as vísceras
constroem cidades rosáceas e apodrecidas
por dentro. bebemos limonada e sonhamos muito.
Denegrimos sonhos comuns enquanto
caminhamos. e tudo se nos revela abruptamente:
Os rios de sangue sem caravelas, as morsas
obsoletas. os velhos em chamas a amar segredos.
Não parecemos tão bonitos ao longe quando morremos
e não somos. toda a cidade se nos apresenta.
Paredes cinzentas e vitrais cor de rosa escondidos
e sob o céu da boca explodimos de luz
e vomitamos existência sem pedaços, uma solidez
estranha que nos faz aguentar ao longo da noite.

groze & mortir
5/X/09



27/X/2008



groze & mortir





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